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id da página: 3785 Evangelho de Tomé - Logion 77

Evangelho de Tomé - Logion 77

Jesus disse: Eu sou a luz que está sobre todos eles. Eu sou o Todo. O Todo saiu de mim e o Todo chegou a mim. Rache a madeira: eu estou ali; levante a pedra e me encontrareis ali. (Roberto Pla)

EVANGELHO DE JESUS

  • Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8,12)

Hermenêutica

Roberto Pla
Quando no logion afirma Jesus: “Eu sou o todo”, diz o mesmo que no evangelho joanico quando explica: “Eu sou a luz do mundo”. No manifesto e no oculto, Cristo é sempre oceano infinito de luz, consciência ilimitada de sabedoria e de amor, o manto de Glória que reveste o Pai, sua Palavra sem a qual “não se fez nada do quanto existe”.

  • Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. (Jo 1,3)


A luz está sobre tudo quanto existe; quer dizer, sobre tudo o que “aparece” como o mundo. A luz não é o mundo, mas está no mundo = está em tudo que existe e é o mundo, porque tudo saiu da luz sem deixar jamais de estar nela (vide Michel Henry). Por isto, quando descreveu Jesus o JUÍZO FINAL, pôde dizer: “tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; (Mt 25,42). Ao falar assim se dirigia Jesus a todas as “nações” e dava fé da magnitude da Glória, “porque o Pai teve por bem que residisse nele (na luz, em Cristo), toda a Plenitude”.

  • ...porque aprouve a Deus que nele habitasse toda a plenitude, (Col 1,19)


Roberto Pla desenvolve então uma reflexão sobre o JUÍZO FINAL.

Explica Isaías em linguagem poética, figurada, que a imagem do homem está composta de madeira e de pedra, e não resulta difícil entender que a madeira é nessa composição a sombra visível do homem e só rachando ela com convicção firme é possível descobrir a pedra.

  • e lançado no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. (Is 37,19)


Esta pedra é aquela pedra eleita, preciosa e fundamental — a Palavra semeada em todo homem, que Jesus descrevia.

  • Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que ponho em Sião como alicerce uma pedra, uma pedra provada, pedra preciosa de esquina, de firme fundamento; aquele que crer não se apressará. (Is 28,16)


Jesus neste logion diz que tal como fez Jacó há que tomar a pedra como suporte para estender a ponte entre a sombra e a luz. Há que levantar a pedra, erigi-la como estela, e adorá-la, posto que ali está ele; só assim é possível fundar a Bethel do retorno, quer dizer, a porta do céu e Casa de Deus.

  • Jacó levantou-se de manhã cedo, tomou a pedra que pusera debaixo da cabeça, e a pôs como coluna; e derramou-lhe azeite em cima. E chamou aquele lugar Bethel; porém o nome da cidade antes era Luz. (Gen 28,18-19)


Karl Renz

Que sejamos este Absoluto aqui e agora e não há corpo, não há mundo, nada além do Ser. Porque não há ninguém neste corpo e ninguém fora deste corpo. Há apenas o Ser. Qualquer forma que tome, não muda nada. Então sejamos o Ser absoluto, isso é tudo.

Nada faz diferença para o que somos. Todas as diferenças são formas diferentes do que somos, mas não nos tornam diferentes de forma alguma. Somos o Absoluto, que toma formas diferentes, mas nunca muda. Então não há ninguém neste corpo e neste exato momento somos este corpo como consciência em uma forma e não há diferença porque só a consciência é, aqui e agora.

Então, neste corpo somos sempre a perfeição.

Não há ninguém que seja perfeito. Há apenas a perfeição.

Isso volta ao que estávamos dizendo: não há Jesus, mas “o que é Jesus”. A divergência entre essas duas expressões é apenas aparente porque quando dizemos “somos Jesus” não estamos ligados a Jesus como pessoa.

Não, não, na verdade é um erro, um erro total. Porque se dizemos que somos livres, novamente nos definimos e ficamos como “eu”, mas não somos liberados. Somos absolutos no não-conhecimento do que somos ou do que não somos. Isso é o que somos, totalmente no mistério do que somos ou do que não somos. Totalmente indecisos sobre o que somos ou o que não somos.

Isto não exclui nem inclui nada. É para sermos livres de qualquer definição, mesmo da ideia de liberdade. Porque não há ninguém que precise de liberdade, ninguém que já tenha tido a menor necessidade. “Seja o que és” simplesmente significa “Seja este Absoluto”, que não podemos perder nem ganhar. E só isto é paz, quando ninguém é deixado.